quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ACABO DE SER SELECIONADO PARA + 2 COLETÂNEAS DA CBJE...
EI-LAS:

Na primeira fui selecionado com o conto "Um Pingo de História"
e na segunda, com o poema "Humílima Canção do Exílio".
Você PODE ler os textos neste blog!

Neste Natal estou com a bola toda... Ou melhor, com os livros todos! Rsrsrsrsrs...
Acabo de ganhar 3 livros na internet. O primeiro é este aqui, do escritor Allan Pitz, sorteado em seu site Paquidermes Culturais:
A Morte do Cozinheiro


Já no site Sobrecapa, da escritora Ana Cristina Melo, ganhei os seguintes:



A Tecelã de Sonhos de Angela Dutra de Menezes
&
Betina tem um problema de Livia Garcia-Roza.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Burning Up



Site dessa imagem

humorgrafe.blogspot.com


"Me coma!", 
disse Madonna.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CLARIVIDÊNCIA


Site dessa imagem

fotosamorizade.blogs.sapo.pt


ESCREVER
ESCREVER
ESCRE / V E R

FÔMEA


Site dessa imagem

reclamatione.wordpress.com

Ela devorou o livro inteirinho, mastigando cada página com um prazer cem vezes maior que o orgasmo!...

FELICIDADE




Site dessa imagem

criscorso.blogspot.com

O mar sorriu pra mim
/
Com seu olho azul...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

CONVITE DAS BORBOLETAS: POEMAS PARA A CRIANÇADA...



Site dessa imagem

salvadorarcuri.arteblog.com.br


BORBOLETAS
1
Borboleta 
                                 Vai
Borboleta 
                                     Vem
Borboleta sobe
Desce também...

2
São asas coloridas
De encantos mil
Que já tomam conta
Deste céu de anil...

3
E nesse bailado
Que é tão delicado
Borboletinha convida
Pra curtir a vida!
...


BOLA MALUCA
A bola rola...


A bola rola na grama...
Rola na quadra...
Rola na lama...


A bola rola em qualquer parte
Com
Ou sem arte...


E é aquele show de gols!


Bolinha maluca,
Você não cansa nunca?!?
...


BRINCADEIRINHA
A poesia
(Seja noite
Ou seja dia)
Vem aqui
Brincar comigo...


Ui!
Ela acaba
De se esconder
No meu umbigo...


Que mico!
...


PENSE RÁPIDO
Qual 
O mais belo
Espetáculo
:
As luzes da cidade
Vistas de cima
Ou
As estrelas do céu
Vistas de baixo
?
...


ASAS
Os passarinhos voam...
Voa o avião...
Eu não tenho asas mas também voo
Com a imaginação!


Fecho os olhos e imagino
Pessoas que nunca vi,
Lugares que não conheci,
Livros que sequer li,
Aventuras que jamais vivi...


Imagino coisas de montão,
Pois limites não há
Para a imaginação!


Os passarinhos voam...
Também voa o avião...
E você... o que está esperando
Pra tirar o pé do chão?
...


TRAVESSURA DO RELOGINHO
Tic-tac...
Tic-tac...
Tac-tic!!!
...


A BARCA AZUL
A barca azul
Vai descendo o rio
Descendo descendo descendo


A barca azul
Vai subindo o rio
Subindo subindo subindo


Esta barquinha simpática
não para jamais...


Me leva com você, Barcazul!
...


P DE Q?
Será
Que existe
Poesia
No
Pum
Da
Jia
?
...

O FANTASMA
Certa noite, o fantasma,
Cansado de assombrar,
Sentou no banco da praça
E se pôs a meditar...

A praça estava deserta,
Nenhum barulho na rua...
O fantasma olhou pro céu
E ficou paquerando a Lua!

...


RIMA DIFERENTE
Sorvete
Rima com tapete
Com alfinete
Rima com... boca
E com bilhete!
...


XADREZ
Era uma vez
Uma galinha pedrês
Que adorava
Jogar xadrez.
Seu nome era Berta Xerez...
Sua parceira predileta
Era a patinha Marinês.
Juntas, elas jogavam
Todo dia, 
Mês a mês!
...


GRANDEZA
A rua é grande.
A noite é grande.
Grande, o menino é pequeno:
Pequeno demais para a fome,
Para o grande frio...


"Dá um trocado, tio?"
"Me dá carinho!"
....................
....................
....................


Ó menino,
Em qual esquina esconderam
O teu sonho lindo???
...


MUNDO AO CONTRÁRIO
No mundo do contrário
O cãozinho diz: miau!


No mundo do contrário
O gatinho diz: au! au!


Esse mundo do contrário...
Eta mundinho legal!
...

CANTIGA
Criança, criancinha,
Vamos todos criançar...
Gire numa rodadinha,
Pule aqui, pule acolá!

Vou pro leste ou oeste,
Vou levando uma flor...
O mundo que eu imagino
Só é feito de amor!

Por isso, vamos juntos
A dançar, senhor, senhora...
Nosso tempo é o presente,
O presente é agora!
...


SUSTO
O rato esfomeado
Foi roer o sapato...


Pois não é
Que era lá
Que estava a dormir
O danado do gato?!


Que susto o ratinho
Levou!


Ainda bem que
O gato
Não acordou...
...


PODER É QUERER
Quero um dia de chuva
Quero um barquinho de papel
Quero a tua companhia
E um arco-íris no céu!...

sábado, 20 de novembro de 2010

SINCERIDADE ABRASIVA

Querer-te
Por um ano...
Querer-te
Por um mês...
Querer-te
Por um dia...

Não!
Mamma mia!

Querer-te
Apenas
O tempo exato...
(Aproveito
E aqui despejo)
...De amarrotar
Os lençóis
Desta
Ou daquela cama
E matar bem morto
O meu desejo!

HUMÍLIMA CANÇÃO DO EXÍLIO

agora tô por cá
mas
meu coração ficô por lá
lá, lá, lá

lá é só cantá
em parceria com o sabiá
já cá é só chorá
cá, cá, cá

oh! preciso voltá pra lá
pois a vida, cá
tá difícil suportá
tá, tá, tá

terça-feira, 9 de novembro de 2010


CAPA DO LIVRO PARA O QUAL ACABO DE SER SELECIONADO JUNTAMENTE COM OS SEGUINTES AUTORES:

AIDE CASTELA
AGNES CASTRO
AIRTON SOUSA
AMAURI NICOLLI
ANNA ELIZANDRA
BETO BROCKEN
CEIÇA ESCH
CLAUDIA SCHIAVONE
CLEBER PACHECO
CRISMARA
DOUGLAS SILVA
EDILSON NASCIMENTO LEÃO
EDMAR SOUZA
EDUARDO SCHOROEDER
FÁBIO VILLELA
FERNANDO PELISOLLI
GEIZA ARAÚJO
GEOVANE FERNANDES
GISELE VEIGA
GERALDO VEIGA
HÉLIO SENA
ITAMAR FERREIRA
IRAPUÃ CARSIL
ISABEL VARGAS
IZABELLE VALLADARES
JC BRIDON
JÔ MENDONÇA ALCOFORADO
JOSANE PEER
JOSÉ WILMAR
KAMALAKSI
LIVIA VERAS
LUCAS MENCK
LUCIA BARBETA
LUIZ CARLOS LEME FRANCO
LUZIA
MARCIO ASSIS
MARIA DO SOCORRO SOUSA
MARIA DE FÁTIMA QUADROS
MARIO REZENDE
MERARI TAVARES
NÉRI BOCHESE
NEY POMPEU
NILDA DIAS TAVARES
NIVEA SABINO
NORBERT HEINZ
ODYLA PAIVA
RICARDO STEIL
VANYR CARLA
ZEZÉ BARCELOS

(Do blog da Izabelle Valladares)

sábado, 6 de novembro de 2010

ESTRANHA PRESENÇA



É madrugada e ele está escrevendo o último capítulo do seu 13º romance, quando ela – pálida, de camisola e cabelos soltos – assoma à porta do pequeno escritório; silenciosamente, ela caminha até a poltrona em frente à escrivaninha do marido, senta-se e fica olhando ternamente para ele...
Ele finge ignorá-la no começo, mas a sua presença o perturba – e ele não consegue mais escrever.
“Saia daqui!”, diz ele encarando-a com os olhos chamejantes.
Ela sorri, apenas; depois murmura:
“Ah, João, eu te amo tanto!...”
Num ímpeto, ele levanta-se na intenção de pegá-la pelo braço e expulsá-la dali; mas desaba sobre a cadeira, acabrunhado: às vezes, se esquece de que a esposa está morta – pois não foi ele mesmo que a matou, um ano atrás, com dois tiros na cabeça?

POESIA ÚMIDA

A LAMA
DE QUANDO
C
H
O
V
E
É
IGUAL
ZINHA
À
LAMA
FORMADA PELA
L
Á
G
R
I
M
A
COLHIDA
POR UNHAS ENCARDIDAS

POEMA DA MÃE (O Órfão)

o fel
de tua
saudade
não será
doravante
o dissabor
da minha vida...
................
................
................
... pois
haverá
sempre
o mel
de tua
lembrança
esse mel
irresistível
maior
que
a imensidão
da dor

ESTA NOITE

Esta noite
eu farei um dueto
com
o vento

Esta noite
eu me arriscarei
na beira
do abismo

Esta noite
eu lavarei as mãos
de toda e qualquer
culpa

Esta noite

Esta noite
eu hei de ser
o homem
que jamais fui

POEMA BRUTAL

prato vazio
filho chorando
mãe reclamando
e do pai nem notícia!

O PRATO NOSSO DE CADA DIA

O menino agita a colher no prato vazio:
“Mãe, quero mais!”
A mãe, carinha triste, responde num murmúrio:
“Tem mais não, querido...”
O pirralho insiste:
“Quero mais, quero mais!”
A pobre mulher fecha os olhos.
O berro continua:
“Mais, mais, mais!”
“Cala a boca, diabo!”

CONVERSAÇÃO

“Seja sincera, Capitu... Você me traiu ou não traiu?”
“O quê...? De onde você tirou essa ideia maluca, me diz?”
“É que... esse menino é tão parecido com o Escobar!...”
“Nem tudo que reluz é ouro, Bentinho... Você sabe disso.”
“Mas ele é o próprio Escobar em miniatura, mulher!”
“Bobagem, querido, são seus olhos...”
E depois, com um sorrisinho ambíguo:
“Você tem cada ideia de jerico!”

GRANDEZA

A rua é grande.
A noite é grande.
Grande, o menino é pequeno:
pequeno demais para a fome,
para o grande frio...

“Dá um trocado, tio?”
“Me dá carinho!?”

Ó menino,
em qual esquina esconderam
o teu sonho lindo?

UM PINGO DE HISTÓRIA

ERA UMA VEZ UM PINGO...

...UM PINGO DE CHUVA...

(NASCIDO DE UMA NUVENZINHA BRINCALHONA!)

... QUE VEIO CAINDO...

... CAINDO...

... CAINDO...

... CAINDO...

... E CAIU NA TESTA DE TERESA...

... TERESA, TÃO BONITINHA...

... QUE TIRAVA AS ROUPAS DO VARAL...

... E QUE, APESAR DE AFOBADA...

... NÃO SE ENFURECEU...

... E ATÉ SORRIU DO PINGO NA TESTA...

... E O PINGO, TODO CONTENTE...

... FOI DESCENDO...

... DESCENDO...

... PAROU NA BOCA DE TERESA...

... NO SORRISO DE TERESA...

... E O DANADO TEVE SORTE...

... MUITA SORTE!...

... POIS SE O NAMORADO DE TERESA...

(QUE ERA CIUMENTO E VALENTÃO!)

... TIVESSE VISTO AQUELA CENA...

... AQUELA CENA SERENA...

... TERIA COLOCADO OS PINGOS NOS “IS”...

... E, COM CERTEZA...

... ARMADO UMA CONFUSÃO!!!

O BAQUE DOS DINOSSAUROS

... e foi assim
(dizem!)
que o Último Dinossauro caiu;

um filme triste
(sem Oscars!)
a que ninguém assistiu;

e que o Cosmos
(e não Spielberg!)
ferozmente dirigiu.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010



Câmara Brasileira de Jovens Escritores
Panorama Literário Brasileiro - Edição 2010
Os melhores Contos de 2010

Mais do que um livro, o Panorama Literário Brasileiro é um documento histórico. Ele registra os melhores contos inscritos para as seletivas da CBJE durante o ano, segundo avaliação do Conselho Editorial da CBJE/RJ, e também - o que é próprio da CBJE - segundo a opinião dos leitores. Este é o segundo ano consecutivo em que será publicado, e temos certeza que reeditará o mesmo sucesso da edição anterior.
Com esta Edição 2010, a CBJE concretiza ainda mais o seu objetivo inicial que é o de fazer do PLB uma fonte definitiva de referência da nossa literatura contemporânea.

Lançamento: 5 de dezembro de 2010

AUTORES SELECIONADOS

Adriana Espineli Simon da Fonseca
São Paulo / SP
No reino das palavras encantadas

Amalri Nascimento
Rio de Janeiro / RJ
Tragédia anunciada

Anderson Batista Eller
Bombinhas / SC


Carlos Américo Kogl
São Roque / SP
O observatório

Chrystianne Goulart Ivanóski
Florianópolis / SC
A semente de Samuel

Clarissa Fae
São Paulo / SP
A invejosa

Cláudio de Almeida
São Paulo / SP
História sem cabeça

Cláudio Manoel Nascimento Gonçalo da Silva
Salvador / BA
A verdadeira pedra filosofal

Danilo Bandeira dos Santos Cruz
Cândido Sales / BA
A eterna noiva

Écristio Raislan Bispo dos Santos
Rio Real / BA
Não chegue na hora marcada

Edilson Landim
Guarapari / ES
Mistérios

Edmar Souza Junior
Itajaí / SC
Madalena

Edmilson Soares dos Anjos
São Paulo / SP
O mendigo e o Grande Demônio

Eritânia Castro Machado de Sousa Brunoro
Rio Branco / AC
A prata no prato

Fabio Alex Moraes
Sorocaba / SP
Fechado ao público

Flávia Assaife Campos de Almeida
Rio de Janeiro / RJ
A mulher ao lado

Helen de Rose
Sorocaba / SP
Quando nasce um escritor

Helena Maria da Silva Matos Ferreira
Guapimirim / RJ
Para sempre?

Hélio Sena
Massapê / CE
Historinha


Hilda Curcio
Brasília / DF
Confissões (apenas aos cinquenta anos)

Iara Clarice Sabino Alves
Guaramirim / SC
A terapia onírica da roça

Isabel Cristina Silva Vargas
Pelotas / RS
Vírgulas

Isabel de Lourdes Duque Deodato
Ourinhos / SP
A culpa do livro

Joana Masen
Campinas / SP
Conto do ipê amarelo

João Carlos Tórtora
Petrópolis / RJ
Encontro de internet

João Francisco Lins Maciel Borges
Belém / PA
Foi o boto!

José Faria Nunes
Caçu / GO
A senha

Ju Couto
Santos / SP
Um presente para Dora

Julio Cesar Novaes Ferreira
Pindamonhangaba / SP
Anos de incerteza

Karla Matos Ferreira Tebaldi
Guapimirim / RJ
A menina que dormia no cesto de pão

Lais Maria Muller Moreira
Mafra / SC
Resignação

Lívia Porto Zocco
Ribeirão Preto / SP
O portal âmbar

Lourival da Silva Lopes
União / PI
Solidão desesperada

Marco Antonio Serafim de Carvalho
Niterói / RJ
A encomenda

Marco Hruschka
Maringá / PR
A tonalidade do uníssono

Maria José Zanini Tauil
Rio de Janeiro / RJ
Traição fatal

Marina Moreno Leite Gentile
Salvador / BA
Esquecida ao extremo

Melchiades Montenegro Filho
Recife / PE
Aceno real

Morgana Gazel
Salvador / BA
A Caipora e Joaninha

Neide Araujo Castilho Teno
Dourados / MS
Uma cena no aeroporto

Neiva Teresinha Paludo Chemin
Chapecó / SC
Aurora da vida

Nena Medeiros
Brasília / DF
É impossível comer um só

Ney Chagas Pompeu
Rio de Janeiro / RJ
Isq isq ererê

Olga Chaves de Melo Futada
São Paulo / SP
Um dia na praia

Paulo Roberto de Oliveira Caruso
Rio de Janeiro / RJ
Renascendo das cinzas

Paulo Victor da Costa Ribeiro
Rio de Janeiro / RJ
As irmãs

Rafael Ademir Oliveira de Andrade
Porto Velho / RO
Herança

Ricardo Steil
Itajaí / SC
Pequeno mosaico das neuroses

Rozelene Furtado de Lima
Teresópolis / RJ
O cão que adestrou um bem te vi

Sergio Tavares
Rio de Janeiro / RJ
Constatação

Sheilla Liz Cecconello
Curitiba / PR
Os nove

Teresa Cristina Cerqueira de Sousa
Piracuruca / PI
O pequeno feiticeiro

Thiago Fonseca
São Paulo / SP
O quarto das bonecas

Valéria Victorino Valle
Anápolis / GO
Laços

Vicência Maria Freitas Jaguaribe
Fortaleza / CE
Que fazer desses amores infantis?

Vicente Reckziegel
Estrela / RS
Noites tristes em cidades distantes

Zuleide Valente
Santo André / SP
Causa mortis
Sobre o processo seletivo:

1 - O Conselho Editorial da CBJE selecionou 250 contos dentre todos os inscritos nas nossas seletivas no período outubro 2009/setembro 2010 e submeteu-os à Comissão Permanente de Avaliação que atribuiu notas de 50 a 100 para cada obra. Cada autor só teve 01 conto inscrito neste processo, considerando-se, também aqui, o limite de caracteres previstos no nosso regulamento.
Importante: Neste ano de 2010, o Conselho Editorial considerou, também, a opinião dos leitores das nossas Antologias on line, que puderam indicar pelo email panoramacbje@gmail.com (entre os dias 5 e 10 de Outubro) até 05 poesias e/ou até 03 contos, através de mensagem identificada. Todas as obras que tiveram um mínimo de 20 indicações, foram incluídas na lista dos selecionados pelo Conselho Editorial.
2 - Tal como nas edições anteriores do PLB, foram criados grupos de leitura, escolhidos a critério dos coordenadores previamente designados, e que atribuiram notas de 10 a 50 para cada conto, utilizando exclusivamente o critério de gosto pessoal.
Nota: As laudas distribuídas para votação continham apenas o poema/conto e um número identificador; os nomes dos autores foram omitidos para evitar qualquer tipo de influência no julgamento.
3 - Cada um dos contos finalistas foi avaliado por 4 membros da Comissão de Avaliação e por mais 20 leitores (Grupos de Leitura), sem que qualquer jurado tivesse acesso às notas atribuídas pelos demais.
4 - Computados os totais, foram classificados para publicação deste ano aqueles que obtiveram as melhores pontuações.

Comissão de avaliação:

Arteiro de Miranda - sociólogo e escritor
Arthur Henrique dos Santos - jornalista e escritor
Bruna Galla - jornalista
Carina Rodrigues - professora e tradutora
Fernanda Redon - pedagoga
Leo Martins - professor e crítico literário
Milena Patricia Ramos - advogada

Coordenadores dos grupos de leitura:
Alexandre Campos
Wagner Lazaro
Marlene Ribeiro
Rodrigo Tedesco
Fernando Dutra

Coordenação do Projeto:
Luiz Carlos Martins - Cons. Editorial da CBJE
Supervisão:
Gláucia Helena - Pres. Cons. Adm. da CBJE
Editor executivo:
Georges Luiz - Editor da CBJE
Especificações da obra:
Livro no formato 14x21cm - 146pp
Miolo em papel offset 75g
Capa em policromia, plastificada, com orelhas
Fino acabamento
Arte da capa: Viani Franco

sábado, 30 de outubro de 2010

NESTA DATA QUERIDA

Lorenzo. É este meu nome. Ontem foi meu aniversário. Trinta e dois anos. Tia fez um bolo pra mim. Também me comprou um presente. Uma camiseta amarela. Comi o bolo. Ri. Rimos. Aí às nove me arrumei. Botei perfume. Falei pra Tia que ia sair um pouco. Não volte muito tarde. Sim. Eu me preocupo. Sim. Então saio. Sem destino. Quem sabe pare na praia. Ou num prostíbulo. O tempo está abafado. O barulho infernal. As luzes me cegam. Tenho sede. Entro num bar. Peço uma cerveja. E outra. E mais outra. E todas as outras. O mundo começa a girar. Pago a conta. Vou levantar e tropeço. Derrubo a cadeira. O pessoal fica me olhando. Alguém ri abafado. Não ligo. Hoje é meu aniversário. Tenho o direito. Vão todos se foder. Eu devo gritar. Mas não grito. Não grito. Vão todos se foder. Todos. É. Eu devo. Mas saio e não grito. Lá fora chove fininho. Sigo pra casa. Às vezes erro o passo. Bato num muro. Ralo o braço. O sangue vem. Não é muito. Só um tiquinho. Quase nada. Um leve ardor. Olho o muro. Muro. Murro. Murro no muro. Mas não. Beijo. Beijo no muro. Não sei por quê. Não sei. Não faço a mínima. Deve ser a idade. O tempo nos enfraquece. Nos desarma. Enlouquece. Há muito ando assim. Diferente. Um dia desses até chorei. Uma cena. A novela era das oito. Mãe e filho. Reencontro. Disfarcei. Tia podia ver. Acho que ela viu. Tia vê tudo. Tudinho. Tudíssimo. A hora que saio. Que chego. Quando vou à cozinha no meio da noite. Ao banheiro na madrugada. Não me chateio. Mãezona. Tudo é pra mim. Carinho. Dinheiro. Macarrão com almôndegas. Sempre foi. Assim desde que Mãe fugiu. Vadia. Eu tinha só cinco. Pai nunca conheci. Eu bem que perguntava. Mas Tia desconversava. Aos poucos fui esquecendo. Agora tanto faz. Pro inferno Pai. Mãe. Aquele gordo que me batia na escola. O pessoal do bar. O muro pro inferno. O muro que me feriu. Que beijei como se fosse uma mulher. Como se fosse Tia. Eu sempre a beijo. No rosto. Nas mãos. Nos cabelos brancos. Certa vez a beijei na boca. Eu era muito pequeno. Ela levou um baita susto. Sorriu. Mas disse que eu não fizesse mais. Perguntei por quê. Ela falou que isso não podia. Beijar Tia não. Namorada podia. Quando eu crescesse. Ficasse rapaz. Daí nunca mais a beijei na boca. Mas outros beijos eu beijo. Os que falei. O que mais gosto é na testa. Nos cabelos não tanto. Fica cabelo na boca. Incomoda. Tenho que cuspir. Detesto cuspir. Tenho nojo. E principalmente lembro. O falecido vivia cuspindo. Enchia a casa de cuspe. A sala. A cozinha. O banheiro. O corredor. Cuspiu até minha mão. E ainda riu. Acho que foi de propósito. Ele disse que não. Tia também disse. Mas eu não senti firmeza. O traste nunca gostou de mim. Me fazia de escravo. Pedia água. Café. Pedia o fósforo pro cigarro. Isso tudo sentado. Os pés trepados no sofá. Na frente da televisão. Pense. Programa era só o dele. A gente não tinha vez. Nem Tia tinha. Não entendo como ela se casou com ele. Uma mulher tão boa. Tão bonita. Hoje ela envelheceu. É verdade. Mas ainda é bonita. Pelo menos eu acho. Acho mesmo. Eu a amo demais. Beijei minha primeira namorada e foi nela que pensei. Fechei bem os olhos. Me concentrei na menina. Era pecado. Não podia. Com Tia não. Depois beijei outras garotas. Várias. Um monte delas. Era o maior beijoqueiro da rua. Da cidade. Talvez mais. Quem sabe. Os meus amigos queriam meu segredo. Falava que não tinha segredo. E não tinha mesmo. Eu beijava e só. Mas elas gostavam. Todas. Tia foi a única que não gostou. A única. Mas ela não era uma qualquer. Era Minha Tia. Tia não podia. Qualquer outra sim. Tia não. Nem mãe. Nem irmã. Não sei. A chuva engrossou. Vou chegar em casa encharcado. Minha mãe. Se me esbarrar Tia não vai gostar. Assim você se resfria menino. Ainda sou seu menino. Sempre serei. Mas não sou mais um menino. Eu sei. Ontem fiz trinta e dois. Não sou mais um garoto. Não sou. Não sou. Agora sou um homem. Um homem. Grito. Um cachorro late. Bato no peito. Abro o portão. A porta. Acendo a luz. Vou pro quarto. Dispo a roupa molhada. Jogo tudo no chão. Me deito na cama. Nuzinho. É bom. Muito bom. Me cubro dos pés à cabeça. Criança no ventre. Menino. Homem. Tia está roncando. Dá pra ouvir. Mas amanhã ela sabe a hora que cheguei. Ela vai saber. Como eu não sei. Ela sabe de tudo. De tudo mesmo. Menos de uma coisa. Do que eu fiz e nunca contei pra ela. Pra ninguém. Nem vou contar. Pra ela não. É melhor que ela não saiba. Quantos anos passados? Muitos. Quinze. Talvez Vinte. Não sei. Não sei. Não quero saber. Não preciso. Não. Eu não queria matar. Ele bem que merecia morrer. Mas eu não queria matar. Só queria fazer ele sofrer um pouco. Sentir a dor. Ele bem que merecia. Me fazia de capacho. A televisão era só dele. O cuspe pelo chão. Minha mão. Ah. Isso não. Isso ele não podia. Lavei minha mão durante um mês. Lavava e lavava. A toda hora. Principalmente antes de comer. E foi lavando que tive a ideia. Uma noite entro na despensa. Entro. Sorrateiramente. Pego o pacote. Suo. Minhas mãos tremem. Tia que comprou o chumbinho. Sim. O rato era uma vez. Coitado. Tiro um tanto razoável de bolinhas. Enrolo numa folha de caderno. Saio da despensa. Depressa. Me tranco no quarto. Trituro as bolinhas com um estilete. Eu quero. Ele merece. Tenho medo. Ora. Um rato. Isso que ele é. Não posso desistir. Voltar atrás. Miau. Sou gatinho mau. Agora é esperar. Um dia passou. Uma semana passou. Um mês se passou. O embrulhinho sempre no meu bolso. Demorou. Mas uma noite pus na sopa dele. Foi rápido. Inesperado. Titia o chamou no banheiro. Acho que uma rã. Ou víbora. Sei lá. Eu aproveitei. Ele voltou. Recomeçou a comer. Parecia um porco. Ele era um porco. Fiquei esperando. Esperando. Horas. Séculos. Minutos. Esperando. Nervoso. Ansioso. Morre desgraçado. Morre! E então começou. Tudo aconteceu. Eu tive medo. Não queria olhar. Mas não conseguia tirar os olhos. Tia gritava. Joaquim! Joaquim! Ele espumava. Os vizinhos acudiram. Não houve jeito. Logo ele estava teso. Os olhos esbugalhados. Mortinho. Pra todos foi coração. Ao enterro não fui. Pedi pra não ir. Tia me abraçou. Lágrimas rolaram. As dela. Claro que eu ria por dentro. Gargalhava mesmo. O meu suplício tinha acabado. Yes. Era hora de comemorar. Ai. Ledo engano. Durante meses não consegui dormir. Era só fechar os olhos e começava. Aqueles olhos horríveis. Aquela espuma me cobrindo. Me melando feito o cuspe na mão. Acordava em pânico. Os pés gelados. O coração saindo pela boca. Sofri um bocado. Via televisão pra não dormir. Meus olhos lacrimejavam de sono. Tia ralhava. Vai dormir menino. Nessa hora televisão só tem o que não presta. Desliga. Amanhã você tem aula. Eu desligava. Ia pra a cama. Pra forca. Pra guilhotina. À força. Meu Deus. Deus. Quero dormir e não sonhar. Não sonhar. Não sonhar. Me ajude. Me perdoe. Eu não queria. Juro que não queria. Meu Deus. Acredite. Acredite em mim. Acredite neste pecador. Me dê a paz. Um sono tranquilo. Por favor. Eu rezo dez ave-marias. Cinquenta. Cem. Cem pai-nossos. Meu Senhor. Eu sei que És bom. Que perdoas setenta vezes sete. Imploro Seu perdão. Quero dormir. Não quero sonhar. É tudo que quero. Tudo. Por favor. Por favor Senhor. Rezava assim mesmo. Desesperado. Noite após noite. Então finalmente consegui. Dormi a noite inteirinha. Estou feliz assim. Sem olhos pra me olhar. Sem espuma. Sem cuspe pra me sujar. Vou dormir. Já é tão tarde. Tia parou de roncar. Amanhã quero beijar ela. Na testa. Nas bochechas. Até nos cabelos. Na boca não. Ela não deixa. Minha velhinha. Temo que ela morra dormindo. Não. Deus há proteger ela. Ele vai. Sei que vai. Assim como me protegeu. Assim como me protege. Assim como me protegerá. Boa noite. Tenho sono. Boa noite. Tenho sono. Boa noite. Boa noite. Ontem foi minha data querida. Amanhã eu começo as ave-marias. Os pai-nossos. Cem. Sem sonhos. Boa noite.

CASUALIDADE

Ao entrar naquele bar e pedir uma cerveja e uma dose de cachaça, Danilo transpirava estresse por todos os lados. Acabara de discutir terrivelmente com a mulher. Motivo da briga: Pedrinho – seu enteado – um pirralho de treze anos que volta e meia vivia a infernizar a sua vida. Por causa dele, uma porção de vezes ameaçara largar a viúva e se mandar no oco do mundo; mas desistia ao considerar que ali tinha todas as regalias possíveis – incluindo grana fácil para torrar em futilidades e sexo quente e gostoso para homem nenhum botar defeito. Verdade verdadeira: Jacira era um furacão na cama! Danilo a havia conhecido numa casa de forró. Beberam e dançaram a noite toda – e na semana seguinte ele se mudou para a casa dela. (Emigrante nordestino, até então vivera com a irmã e ajudava o cunhado numa lojinha de artigos esportivos). Pois bem: mandou tudo para o beleléu e se socou de mala e cuia na casa da coroa boazuda – e isso já fazia quase um ano! No momento trabalhava meio expediente numa padaria, mas andava pensando seriamente em largar aquele serviço mixuruca de mão. A pensão do falecido, mais o dinheiro das duas casas que Jacira mantinha alugadas, era suficiente para suprir as suas necessidades básicas de garotão da hora... Ele já tinha vinte e  nove anos nos couros, mas era assim mesmo que Danilo se auto-proclamava: um garotão da hora!
– Você é um cara de sorte, Danilão! – diziam os amigos.
Ele rebatia:
– Vocês não sabem a peste que é o filho dela... E a velha é ciumenta que nem o demônio!
Os amigos davam-lhe tapinhas nas costas:
– Isso é o de menos, cara! Isso é o de menos...
Agora Danilo achava-se ali, encostado no balcão de um barzinho à-toa... Quando pediu a cerveja e a dose de cachaça, o dono do estabelecimento o mediu de cima a baixo. Danilo percebeu, mas ficou quieto. Não queria discutir mais com ninguém naquela noite. Uma briga só já bastava.
Virou a pinga de um gole. O álcool desceu rasgando-lhe a garganta, quis tossir. Tossiu abafado, disfarçando: o bar regurgitava – e ele não queria que os outros pensassem que ele era um cachaceiro principiante.
De fato, Danilo nunca fora um bom bebedor de pinga. A danada sempre descia lacerando tudo – sem contar que ele se embriagava fácil, fácil. Cerveja, não. Podia beber várias, o efeito era lento e raramente o deixava de porre. A pinga, ao contrário... E não era preciso muita, não: bastavam cinco ou seis doses para fazê-lo rastejar pelo chão. Uma vez, chegara a tirar toda a roupa num churrasco na casa de um amigo. Por sorte, as mulheres tinham acabado de ir à cozinha pegar um pouco de carne, e as crianças jogavam videogame na sala. Ninguém percebeu nada. Os amigos o vestiram às pressas, apesar da resistência que ele oferecia. Quando Pedro, dias depois, lhe contou o sucedido, Danilo ficou muito impressionado e jurou nunca mais botar cachaça na boca.
Isso fazia apenas dois meses. Agora ele enchia a cara encostado no balcão. Já bebera uma dose e três cervejas. Sentia-se bem – e quis pedir outra dose. “É a última...” – pensou sorrindo. “Dessa vez não vou deixar que a safada me noucateie, não!”
Secou a cerveja e pediu a dose e outra cerveja. O dono do bar, enquanto servia, escolheu bem as palavras para falar:
– Moço, você não tem medo de se embriagar, não?
Danilo esteve a pique de soltar uma grosseria – talvez mandar o sujeito tomar naquele lugar – mas disse apenas:
– Tô acostumado.
E ficou sério. O dono do bar, encabulado, foi atender uma cliente que o chamava insistentemente. Ela falou qualquer coisa no ouvido do homem e ele, de cara amarrada, fez um gesto indicando Danilo com a cabeça. Danilo percebeu o gesto – bebeu a dose de uma lapada e ficou encarando a mulher. Ela parecia ter uns vinte anos, era loura e um tanto gordinha; mas em compensação tinha uma boca tão carnuda, tão vermelha e tão brilhante que – por alguns segundos – Danilo fechou os olhos e se imaginou sorvendo aquela boca deliciosa como se devorasse um pedaçinho da maçã que Adão comeu no paraíso...
Quando abriu os olhos, levou um baita susto: diante dele, a boca exibia o mais lindo dos sorrisos...
– Oi... – ciciou a moça.
Danilo também sorriu:
– Oi...
Ela, então, puxou um tamborete para perto dele e sentou-se; depois, olhando para as próprias unhas (longas e vermelhas como sua boca), incorporou a menina tímida e perguntou:
– Você... me paga uma bebida?
Danilo, delicadamente, segurou-lhe pelo queixo e a fez olhar para si:
– Pago, sim, meu anjo... Mas vai ter que me contar o que você perguntou ao carinha ali sobre mim!
Ela desvencilhou-se dele:
– Eu te conto, sim... Mas primeiro a bebida!
– Tá bem. O que você quer beber?
– De início, uma pinga! – exclamou ela após breve hesitação. – Depois tomo uma cervejinha com você...
Achando aquilo inusitado – e divertido –, Danilo mandou botar uma pinga “pra moça”. E, empolgado, completou:
– E vê outra pra mim também!
Dessa vez o dono do bar serviu a bebida sem olhar nem falar nada.
– Vamos brindar! – propôs a moça.
– Brindar o quê? – inquiriu Danilo.
– Aos amantes da cachaça! – e ela levantou o copo.
Brindaram ruidosamente. Algumas pessoas próximas olharam para eles. O dono do bar também.
Assim que entornaram a cachaça e Danilo pousou o copo no balcão, a moça falou:
– E aí, ainda quer saber o que perguntei ao cara do bar?
Contente porque, pela primeira vez em sua vida, a bebida não descera rasgando nem lhe dera vontade de tossir, Danilo replicou:
– Deixa pra lá... Melhor me falar o seu nome. O meu é Danilo!
– Meu nome é Anelise, mas gosto que me chamem de Anne, com dois “enes”...
– Prefiro Anelise! – disparou Danilo. – Se você me permite, é claro...
– Tudo bem, Danilo, hoje você pode me chamar do que quiser! Tô feliz à beça: é meu aniversário...
– Opa, meus parabéns! – Danilo tomou-lhe as mãos efusivamente. – Isso merece mais uma cerveja geladinha... Ei!
Obedecendo ao clássico gesto do indicador empinado, o dono do bar trouxe outra cerveja. E, olhando para ele e depois para Anelise, informou:
– É a última. Vou fechar.
– Que horas são? – perguntou Danilo.
Foi Anelise quem respondeu, consultando o seu reloginho de pulseira amarela:
– Quase duas!
– Caramba, o tempo voa, né?! Achava que ainda não fosse meia-noite...
Sorveram a cerveja entre risos e palavrinhas bobas. A moça sugeriu:
– Vamos dar uma volta por aí?
Danilo, constrangido, balbuciou:
– Eu... Eu tô a pé, sabe?...
– Tem nada, não; tô mesmo precisando caminhar um pouco... Vamos!
Danilo puxou a carteira e pagou a conta. Ao devolver o troco, o dono do bar chispou para a moça:
– Vê se não chega só de manhã, viu, dona Elizângela!
Estranhando aquilo, Danilo falou em tom grave:
– Alguém pode me contar o quê que tá havendo aqui?
Anelise o puxou pela mão e eles saíram rápido do bar.
Caminharam um instante em silêncio, até que Danilo estacou; cruzou os braços, encarando a garota:
– Sou todo ouvidos, dona Elizângela!
– Desculpe, Danilo. Meu nome verdadeiro é Elizângela... e aquele lá é meu padrasto – explicou-se Anelise. – Eu odeio ele! Acha que pode mandar em mim...
Danilo não teve jeito senão rir da coincidência: saíra de casa estressado com seu enteado e encontrara o refrigério justamente ao lado de uma... enteada! Que coisa louca; ironia do destino!
– Você tá rindo do quê? – Anelise quis saber.
Danilo então contou da briga com a mulher por causa do sacana do filho dela.
Elizâgela-Anelise o abraçou:
– Não esquenta, não, meu bem... Hoje a gente vai se divertir muito. Vamos lá na praia?
Danilo concordou. Passaram num barzinho, compraram algumas latas de cerveja, entraram numa van e – vinte minutos depois – estavam se beijando e se amassando na areia da praia deserta àquela hora da madrugada...

...

Danilo acordou com o sol nascendo. Demorou um pouco a reconhecer o lugar onde se encontrava.
Sentada ao seu lado, Elizângela (pura como nunca!) olhava o mar com a mesma serenidade daquelas águas sem fim...
– Olha lá! – gritou ela de repente apontando em certa direção.
– O que foi? – perguntou Danilo levantando-se com dificuldade.
– Tem uma mulher vindo furiosa pra cá... Será sua mulher?
– Xiiiii... É ela mesmo! E aquele careca ali do lado, não é seu padrasto, não?
– Pode apostar que sim... E agora, hem?
Sincronizados, os dois se entreolharam, sorriram e – desabando molemente sobre a areia – fingiram-se de mortos.