sexta-feira, 17 de junho de 2011

O PRÊMIO


Noite dessas, zanzando pela net afora (ou adentro, como queira!), deparei com a informação de um concurso de crônicas. A promovente era uma editora carioca, que pedia textos de 140 caracteres a 1.000 palavras versando sobre a amizade. Agora, pasmem os senhores: o prêmio seria um livro reunindo ninguém menos que Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura e Arthur Dapieve! Fechei os olhos e comecei a sonhar com o tal livro, para, ao abri-los novamente, perceber que o prazo de inscrição vencera um mês antes. “Droga!”, gritei quase acordando a minha vizinha. Ou acordando mesmo, sei lá – ora, a Dona Candinha que fosse se danar! De raiva, desliguei o computador e fui dormir. Então sonhei que nós quatro nos encontrávamos numa sala: Verissimo, Zuenir, Dapieve e eu, naturalmente. Na mesa em torno da qual nos reuníamos, havia um exemplar de Conversas Sobre Tempo, obra que seria ofertada ao vencedor do concurso – que, nesse caso, era eu... Estávamos em silêncio. Ninguém olhava para ninguém. Todos tínhamos os olhos fixos no livro. De repente, os três se precipitaram sobre ele. O Dapieve foi mais rápido e agarrou o ditocujo. E ainda ficou rindo da cara abestalhada dos outros. “Isso não teve graça nenhuma!”, disse o Verissimo com azedume. “Graça nenhuma!”, repetiu o Zuenir, igualmente azedo. E, olhando para mim, perguntou: “Você acha que teve?” Nervosíssimo, gaguejei algo ininteligível e o trio caiu na gargalhada. Não tive remédio senão rir também. Rimos dois dias seguidos, até que o Dapieve me perguntou: “Qual o seu nome?” Já completamente à vontade, respondi: “Milos. Milos de Solim.” Ele autografou o livro e o entregou ao Verissimo. Este me olhou bonacheirão e assinou também. De posse do livro, o Zuenir falou: “O que você vai fazer com este livro, Milos?” “Vou lê-lo do começo ao fim!”, falei tentando ser engraçado; mas os três ficaram muito sérios e eu não soube onde enfiar a cara. O Zuenir rubricou o livro e, com o bicho nas mãos, levantou-se. O Verissimo e o Dapieve o acompanharam. Eu não sabia se levantava ou se permanecia sentado. “Levante-se, Milos!”, disse uma voz atrás de mim. Eu me voltei e não vi ninguém. Quando tornei a olhar para a frente, os escritores haviam sumido! E, com eles, ai!, e com eles o meu livro-livrinho-livrão... Nessa hora acordei. Havia um cheirinho gostoso de café no ar. Café de Dona Candinha! Ainda estava escuro, mas – como sempre – a velha cantarolava e fazia aquela barulheira infernal com as panelas... Eu sorri satisfeito. E me levantei com uma disposição dos demônios!


2 comentários:

Paula Izabela disse...

Adorei seus blogs. Estou fuçando e conhecendo um pouco da sua arte. Parabéns!

HÉLIO SENA disse...

Fique à vontade, Paula. Será sempre um enorme prazer tê-la por aqui. Abraços!